Não choro nem em velório

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Fui ao teatro e chorei. Logo eu, que nunca choro. Nunca. Nem em velório. Ninguém é capaz de avaliar o meu sentimento, não choro. Mas chorei. Era uma formatura de crianças do pré. Isso mesmo. De gente que ano que vem vai para a primeira série.

Acompanhei uma amiga a um teatro de playboy num shopping de playboy no bairro judeu para ver a participação do filho dela no teatrinho Os Saltimbancos, atividade de final de ano da escolinha. Uma produção de babar e derrubar os cabelos, ainda que a escola seja de periferia.

Chorei. Cada palavra, cada gesto, cada segundo. Ali, o futuro invadiu o presente e encheu de esperança o coração de cada um. Cada pai, mãe, tio, tia, irmã, irmão, parente, amigo ou desconhecido, como era o meu caso – talvez único. De esperança por um mundo menos cruel e triste, mais alegre e feliz do que temos até agora. Muito mais. Precisamos de crianças! O restante é decoração.

Eu estou cansado de ladrão, de polícia. Aliás, tanto de ladrão quanto de polícia eu tenho pavor. Precisamos de paz e amor. De crianças. Estou cansado de gente nervosa no trânsito, de gente, de fato, sem educação. Gente escrota. Precisamos de crianças. Estou cansado de político, de gente falando de política, de selfie de piriguete e de foto poser de gente viajando. Precisamos é de crianças.

Estou cansado de futebol, de dirigente de futebol, de jogador de futebol, de torcedor de futebol. Cansado de barulho. Precisamos de risadas de crianças. Cansado de shopping center, de novela, de televisão. Cansado de ler jornal e revista. Precisamos de crianças. Cansado de gente esnobe, de soberba, hipocrisia. Cansado de supermercado, de pagar imposto alto e ainda pagar plano de saúde, seguro, escola, zona azul e flanelinha. Precisamos é de crianças para salvar esse planeta. O restante é decoração.

(por Mauro)

Foto: Melissa Anthony

 

Somos um grupo secreto. Nosso objetivo é, secretamente, contribuir para fazer do mundo um lugar melhor. Somos todos personagens alter-egos do jornalista Rodrigo Rezende e mais algumas coisas. Para falar com ele, mande um e-mail para papelvegetall@hotmail.com

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3 comentários sobre “Não choro nem em velório

  1. Impressionante que agora pouco escrevi sobre meus cansaços, é complicado ter que aceitar o quanto as reais belezas da vida estão se tornando rara, é dificil de fato o coração não se comover diante da essência das coisas que se tornam perdidas em meio a todo esse turbilhão que nos cansa, que nos enjoa…entendo perfeitamente suas emoções…sou outra cansada!!! rsrsrrs abraços e parabéns pelo texto.

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