Belluco no nome e o pôquer das 21h

poker

(OUÇA A MÚSICA ABAIXO ENQUANTO VOCÊ LÊ ESSE CONTO, PRA ENTRAR NO CLIMA)

Nosso filho teria Belluco no nome. Na verdade, um sobrenome, o que lhe faria parecer com algo como diretor de filme, piloto de Fórmula 1 ou, melhor, mafioso, poderoso chefão. Sr. Belluco, imagine – forte como o martelo do Thor.

Foi então que, antes de tudo isso, antes de haver criança, antes de haver casamento, houve a apresentação. O candidato frente a frente com Belluco, o futuro sogro.

Fazia frio no interior de São Paulo. Enquanto alguns presentes reclamavam do tempo, eu aproveitava para beber vinho. Bastante vinho. Ainda que sob o cuidado de não embebedar-me além da conta. Afinal, dentro de instantes, estaria no ringue para enfrentar o peso pesado.

Eu estava preparado, sem muitos truques na manga, diga-se, porém astuto. A mão suada revelava-se devido ao calor do vinho mesmo.

Foi uma boa conversa. Rápida e mortal, como ninguém ali esperava. Nem mesmo eu.

O pai de todos apareceu, tratou-me como nobre, desculpou-se porque teria de se ausentar repentinamente para um flagrante (o cara, ainda por cima, era delegado de polícia). Mas antes de sair castelo afora falou pausadamente em tom de questionamento. “Caro Niko, um homem tão apropriado para cuidar da minha filha certamente brilhará na mesa de pôquer na noite de amanhã”. Todos silenciaram o que já era silêncio.

Eu, um pouco mais pálido do que deveria estar, mexi um pouco a cabeça, o que foi entendido pela autoridade ali presente como um “sim”.

Ao sair daquele recinto com clima de velório, eu e minha pretendida fomos para a área da piscina. Disquei rapidamente para tia Antônia. “Alô, preciso de uma coisa. Vida ou morte”. Titia, sempre educada, consentiu que eu avançasse por meio do silêncio que fez. Então, prossegui: “Você pode me ensinar a jogar pôquer?”

“Claro, pra quando você precisa?” Titia conhecia os prazos curtos que a vida me reservava sempre. “Jogo amanhã às 21h.”

(por Niko)

Foto: Kayvan Farzaneh

Somos um grupo secreto. Nosso objetivo é, secretamente, contribuir para fazer do mundo um lugar melhor. Somos todos personagens alter-egos do jornalista Rodrigo Rezende e mais algumas coisas. Para falar com ele, mande um e-mail para papelvegetall@hotmail.com

 

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