Dono do pub não aguentou beber comigo

guatemala

Era Guatemala. Era 2007. Era uma noite de vento, de temperatura boa. Éramos dois ao balcão: o dono do pub e eu. A cada cerveja que o canadense servia, ele bebia coca com rum. Era assim: cerveja para mim, rum para ele. Claro que nesse compasso ele ficaria embriagado primeiro. E assim foi.

Eu, antes considerado o italiano, era apenas o brasileiro que alegrava o casal inglês – a loira e o moreno rastafari – e atendia a uma ou outra pergunta da mulher do dono do pub. Essa, guatemalteca, era também a proprietária da charutaria, onde tudo havia começado.

Fora na charutaria que eu a conhecera. No meu primeiro contato com o povo local, logo após a primeira reunião de trabalho naquele primeiro dia. A primeira cerveja. As primeiras informações. Os primeiros diálogos.

Fora na charutaria também que, anos atrás, ela, a mulher do dono do pub, o conhecera. Ele vinha do Canadá, com o objetivo de fazer do local apenas um trampolim, um acampamento. Depois, seguiria viagem rumo ao Brasil.

“O Canadá é muito cinza, meu sonho era ir para o Brasil”, explicou enquanto bebíamos no pub.

Na TV, um jogo de futebol local em um campo enlameado. Estádio vazio. E eram as finais do campeonato. TV modo mudo. No som digital, um roquenrrol de Manchester. Nosso papo era música; ele queria conhecer as bandas do Brasil, enquanto ouvíamos clássicos alternativos.

O canadense vinha do Canadá para o Brasil, mas apaixonou-se no meio do caminho e por lá ficou para sempre. Na saúde e na doença. Divide negócios e uma casa cheia flores e hortas com uma linda mulher, alguns anos mais velha do que ele. Uma guatemalteca, filha de italianos. Sem filhos.

Foi então que me despedi, dobrei a esquina e entrei em um bar de música eletrônica. Em meio a dezenas de guatemaltecas, lá encontrariam Lisa, minha garota de Berlim. Mas essa é outra história.

(Por Niko)

Foto: Arquivo pessoal

 

Somos um grupo secreto. Nosso objetivo é, secretamente, contribuir para fazer do mundo um lugar melhor. Somos todos personagens alter-egos do jornalista Rodrigo Rezende e mais algumas coisas. Para falar com ele, mande um e-mail para papelvegetall@hotmail.com 

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